A Biologia do Conhecer
“Conhecer é viver, e viver é conhecer”
(Maturana, 1997, p.42)
Atualmente (Maturana, 1995) a humanidade se depara com o difícil desafio de criar o conhecimento
, o entendimento que possibilite a convivência humana. Para Maturana (1995) os fenômenos sociais não podem ser conhecidos de uma forma objetiva nos quais o próprio observador, que descreve o fenômeno, está envolvido, o ser vivo não é independente do meio, da circunstancia.
A Biologia do conhecer busca dar conta do observador, entendê-lo e para isso é necessário levar em consideração o que o faz, o constrói, encarando a dinâmica interna do ser humano e suas rela
ções. O fenômeno do conhecer apóia-se na participação do observador para a geração do conhecimento. Por isso, Maturana procura uma teoria científica dos processos de aprendizagem
social, onde ocorra a possibilidade de conhecer “objetivamente” o fenômeno do próprio conhecer humano (ou autodescrição consciente) baseado em interações entre o mundo (objeto) e o sujeito (observador).
Tradicionalmente os experimentos eram realizados num formato de triângulo formado por observador, organismo observado e ambiente
, sendo o organismo e o ambiente independentes de si mesmo. Portanto, para um observador tradicional seus conhecimentos sobre o ambiente serão independentes de suas próprias experiências perceptivas.
“o conhecer é um adquirir informa
ção de um ambiente cuja natureza é operacionalmente independente do fenômeno do conhecer, num processo cuja finalidade é permitir ao organismo adaptar-se a ele (ao ambiente).” (Maturana, 1995, p. 33)
Segundo este triângulo os seres humanos não tem acesso ao seu próprio campo cognoscitivo, pois estão fora dele. E a ciência normalmente trabalhava assim, decompondo, analisando propriedades particulares dos componentes e se “esquece” da relação entres estas partes, o que não determina a organização do sistema, nem suas propriedades como conjunto.
Os seres vivos, para Maturana (1997) são sistemas de organização
circular , nos quais a circularidade tem que se conservar. Neste círculo o observador esta no centro e por isso ocupa ao mesmo tempo
o campo experiencial, o campo operacional e o campo perceptivo. Logo, a pergunta que a Biologia do conhecer procura responder é: “como pode então um sistema conhecer sua dinâmica cognoscitiva, se sua dinâmica cognoscitiva (que é o que deseja conhecer) é simultaneamente seu próprio instrumento de conhecer? Pode o homem se conhecer a partir do homem? – eis a pergunta. (Maturana, 1995, p.35)
Maturana (1995) se deparou com o problema da circularidade cognoscitiva, com a incapacidade da ciência para responder sobre as desordens estruturais e funcionais dos sistemas sociais. O organismo é um sistema que opera com conservação da organização – um sistema fechado- como uma rede de produções de componentes no qual os componentes produzem o sistema circular que os produz.
P.S.
Sistematização Suzana:
todo conhecer é uma ação por parte daquele que conhece e isto está na sua origem como ser vivo, na sua organização;
tudo leva a um novo fazer, a um contínuo de inteirações... um círculo cognitivo;
nós mesmos não temos total consciência de todas as nossas crenças, nem de como construímos nossas certezas;
conhecer o conhecer implica ética e responsabilidade pelas conseqüências, nos outros, das nossas escolhas;
a ignorância protege!!! – morar na caverna é cômodo, o problema passa a existir quando descobrimos que existe um ‘lá fora’!!! - “o conhecimento do conhecimento compromete”. (MATURANA, 1995 p.262)
“A tradição é uma maneira de ver e atuar, mas também um modo de ocultar”. (MATURANA, 1995 p.260)
“Toda tradição se baseia no que uma história estrutural acumulou como óbvio, como regular, como estável e a reflex
ão que permite ver o óbvio opera somente com aquilo que perturba essa regularidade”. (MATURANA, 1995 p.260) – fiquei pensando...então,toda a tradição é uma organização?!
“Um ponto de vista
é apenas a vista de um ponto”. (Leonardo Boff)
“Ao tentar conhecer o conhecer, acabamos por nos encontrar com
nosso próprio ser”. (MATURANA, 1995 p.260)
Bibliografia:
MATURANA, H. A Ontologia da Realidade. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1997
MAGRO, C.; GRACIANO, M; VAZ, N. (Org.)
Biologia do Conhecer
“Conhecer é viver, e viver é conhecer”
(Maturana, 1997, p.42)
Atualmente (Maturana, 1995) a humanidade se depara com o difícil desafio de criar o
conhecimento
, o entendimento que possibilite a convivência humana. Para Maturana (1995) os fenômenos sociais não podem ser conhecidos de uma forma objetiva nos quais o próprio observador, que descreve o fenômeno, está envolvido, o ser vivo não é independente do meio, da circunstancia.
A Biologia do conhecer busca dar conta do observador, entendê-lo e para isso é necessário levar em consideração o que o faz, o constrói, encarando a dinâmica interna do ser humano e suas
rela
ções. O fenômeno do conhecer apóia-se na participação do observador para a geração do conhecimento. Por isso, Maturana procura uma teoria científica dos processos de
aprendizagem
social, onde ocorra a possibilidade de conhecer “objetivamente” o fenômeno do próprio conhecer humano (ou autodescrição consciente) baseado em interações entre o mundo (objeto) e o sujeito (observador).
Tradicionalmente os experimentos eram realizados num formato de triângulo formado por observador, organismo observado e
ambiente
, sendo o organismo e o ambiente independentes de si mesmo. Portanto, para um observador tradicional seus conhecimentos sobre o ambiente serão independentes de suas próprias experiências perceptivas.
“o conhecer é um adquirir
informa
ção de um ambiente cuja natureza é operacionalmente independente do fenômeno do conhecer, num processo cuja finalidade é permitir ao organismo adaptar-se a ele (ao ambiente).” (Maturana, 1995, p. 33)
Segundo este triângulo os seres humanos não tem acesso ao seu próprio campo cognoscitivo, pois estão fora dele. E a ciência normalmente trabalhava assim, decompondo, analisando propriedades particulares dos componentes e se “esquece” da relação entres estas partes, o que não determina a organização do sistema, nem suas propriedades como conjunto.
Os seres vivos, para Maturana (1997) são
sistemas de organização
circular , nos quais a circularidade tem que se conservar. Neste círculo o observador esta no centro e por isso ocupa ao mesmo
tempo
o campo experiencial, o campo operacional e o campo perceptivo. Logo, a pergunta que a Biologia do conhecer procura responder é: “como pode então um sistema conhecer sua dinâmica cognoscitiva, se sua dinâmica cognoscitiva (que é o que deseja conhecer) é simultaneamente seu próprio instrumento de conhecer? Pode o homem se conhecer a partir do homem? – eis a pergunta. (Maturana, 1995, p.35)
Maturana (1995) se deparou com o problema da circularidade cognoscitiva, com a incapacidade da ciência para responder sobre as desordens estruturais e funcionais dos sistemas sociais. O organismo é um sistema que opera com conservação da organização – um sistema fechado- como uma rede de produções de componentes no qual os componentes produzem o sistema circular que os produz.
P.S.
Sistematização Suzana:
“A tradição é uma maneira de ver e atuar, mas também um modo de ocultar”. (MATURANA, 1995 p.260)
“Toda tradição se baseia no que uma história estrutural acumulou como óbvio, como regular, como estável e a
reflex
ão que permite ver o óbvio opera somente com aquilo que perturba essa regularidade”. (MATURANA, 1995 p.260) – fiquei pensando...então,toda a tradição é uma organização?!
“Um
ponto de vista
é apenas a vista de um ponto”. (Leonardo Boff)
“Ao tentar conhecer o conhecer, acabamos por nos
encontrar com
nosso próprio ser”. (MATURANA, 1995 p.260)
Bibliografia:
MATURANA, H. A Ontologia da Realidade. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1997
MAGRO, C.; GRACIANO, M; VAZ, N. (Org.)