A Biologia do Amor

A Biologia do Amor: A biologia da aceitação do outro (Maturana, 2001)

“A inveja, a competição, a ambição... reduzem a inteligência; só o amor amplia a inteligência” (Maturana, 2008, p. 17)

A Biologia do Amor consiste no respeito mútuo, na aceitação do outro como legitimo e para que isso seja possível é necessário, primeiramente, o respeito e confiança por si mesmo (Maturana, 2008). Portanto, o amor é o domínio das condutas (a conduta é algo que se vê, é as mudanças de estado de um organismo em seu meio, tal qual vistas por um observador, que descreve essas mudanças de estado do organismo em seu meio como conduta) onde outro surge como legitimo em coexistência.

“O amor não tem fundamento racional, não se baseia num cálculo de custos e benefício, não é bom, não é uma virtude, nem um dom divino, mas simplesmente o domínio dos comportamentos que constituem o outro como um legítimo outro na convivência com alguém.“ (Maturana, 2008, p. 84)

Nós os seres humanos somos animais de linguagem e amorosos (Maturana, 2008), pois as nossas preocupações éticas (responsabilidade, liberdade, consciência de si e social) existem apenas no domínio do amor, onde o outro é visto como legitimo. A diferença entre nós, os seres humanos, e os chimpanzés não pertence ao domínio racional, mas sim ao emocional. Os seres humanos existem nas conversações (conversar é um fluir da convivência, na entrelaçamento do linguaguear e do emocionar; os dois são usados como verbo, não substantivo, que ocorrem no fluir da convivência – da entrevista), no viver na convivência em coordenação de coordenações de fazeres e emoções (Maturana, 2004) e são seres amorosos, inteligentes, com auto-respeito e responsabilidade social num domínio de convivência humana (Maturana, 2008).
Entretanto, a cultura a qual pertencemos desvaloriza as emoções, que pede um comportamento racional (Maturana, 2001) – mas ele não nega, nem desvaloriza a razão. Maturana relata que em sua infância não aprendia a ler, não porque era burro, mas o motivo era que ele não tinha emoção. No momento em que sentiu inveja, teve uma emoção, aprendeu a ler (Maturana, 2001, p.108)

Conforme Maturana (2004) tudo que é humano se constitui pela conversa, todos os espaços de ações humanas se fundam em emoções e o espaço social surge sob a aceitação do outro (2001). Mas há discursos que consideram como relações sociais espaços que não permitem estas condutas, como a competição (Maturana, 2001). A competição é um fenômeno no qual a emoção resulta na negação do outro (exemplo quando jogamos sem marcar pontos e quanto decidimos marcá-los), no sofrimento, pois para um ganhar quer dizer que outro deve perder é um fenômeno anti-social. Logo, não há competição sadia, já que para que ela exista é necessária a negação do outro.

Culturas: são redes fechadas de conversações que produzem a configuração do emocionar, onde é formado o caráter da cultura. Por esse motivo é a emoção que guia o fluir histórico.

Espaço Relacional: O ser se torna humano quando vive num espaço relacional. Este espaço é definido pelas emoções (Maturana, 2004) no qual ocorrem nossas ações. A emoção que origina a ação (gesto) ou o discurso (linguagem) vai determinar seu caráter (Maturana, 2004).

Dimensão Relacional: definida pela biologia do amor e da intimidade.

Bibliografia
MATURANA, H.; REZEPKA, S.N. Formação e Humana e Capacitação. 5ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. Tradução Jaime S. Clasen.

MATURANA, H. Entrevista. Humanitates v.1 n.2 nov/2004. Disponível em:
http://www.humanitates.ucb.br/2/entrevista.htm
Acesso em 27 de out de 2009.

MATURANA, H. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001. 203p. Organização e tradução de Cristina Magro, Victor Paredes.

Sistematização Suzana:
É NECESSÁRIO COMPREENDER O AMOR COMO RECONHECIMENTO DA LEGITIMIDADE DO OUTRO NO VIVER E CONVIVER, INDEPENDENTE DE QUEM É ESTE OUTRO.

“O amor é a emoção que constitui as ações de aceitar o outro como um legítimo outro na convivência. Portanto, amar é abrir um espaço de interações recorrentes com o outro, no qual sua presença é legítima, sem exigências” (1998, p.67)

“A biologia do amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no prazer de estar onde está na confiança de que é acolhido, seja pelas circunstâncias, seja por outros seres vivos.” http://www.humanitates.ucb.br/2/entrevista.htm

“O amor é a nossa base, a proximidade é nosso fundamento, e se os perdemos, procuramos sempre de novo recuperar o amor e a proximidade, porque sem eles desaparecemos como seres humanos[...]” (2008, p.75)


  1. -o amor acontece na relação de confiança, de legitimidade: “ o amor é um fenômeno biológico cotidiano” (1998, p.67)

“Nossas crianças necessitam crescer na confiança, na aceitação corporal sem exigências, no prazer de estar juntos, isto é, na cooperação para se tornarem indivíduos bem integrados e seres sociais” (2008, p.61)

-nossas preocupações éticas nada mais são que a biologia do amor acontecendo, pois nos sentimos responsáveis pelas conseqüências de nossas ações para os outros;

- o fundamento da ética é a emoção, não a razão;

- é a emoção que define o caráter da relação;

“A harmonia interna só se consegue vivendo uma vida de auto e hétero- respeito. Isso só é possível – acreditamos – numa vida em que se conservem o amor e a brincadeira como modos de viver na sensualidade e ternura em todas as dimensões da existência” (2004 p.251)




No caso do professor:

“Assim, o professor, ou professora, é uma pessoa que deseja esta responsabilidade de criar um espaço de convivência, este domínio de aceitação recíproca que se configura no momento em que surge o professor em relação com seus alunos, e se produz uma dinâmica na qual vão mudando juntos.” (1990)


“O educador é aquele que aceita a responsabilidade de criar este espaço de convivência, que irá se configurar a partir da aceitação de todos os envolvidos. Portanto o educador é aquele que consegue perceber as aprendizagens desencadeadas no aprendiz, a partir das suas mudanças de conduta e que se dispõe a aprender com o aprender dos estudantes. Desta forma, o educador consegue modificar suas ações no espaço de convivência para que as aprendizagens, ou seja, as mudanças de conduta da ação continuem ocorrendo.” (Dai e Lu)

  1. desencadeamos mudanças, perturbações e assim vamos transformando nossa estrutura para dar conta das novidades do nosso viver e conviver.

Não sei responder com clareza se podemos nos auto acoplar, acredito que, partindo da compreensão que somos seres que vivem e convivem na interação com outros seres, o acoplamento se dê neste ir e vir relacional com os outros, é como ampliamos nossa estrutura e realizamos nossa autopoiese!


Referências:

MATURANA, H.; REZEPKA, S.N. Formação e Humana e Capacitação. 5ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.

_. Emoção e linguagem na educação e na política. Belo Horizonte: Ed. UFMG,1998.

_, VERDEN-ZÖLLER, Gerda. Amar e Brincar:fundamentos esquecidos do humano. São Paulo: Palas Athena, 2004.

___, Humberto.O que é ensinar? Quem é um professor? Traduzido do trecho final da aula de
encerramento de Humberto Maturana no curso Biologia del Conocer, ( Facultad de
Ciencias, Universidad de Chile), em 27/07/90.

TREIN, D.; BACKES, L. A Biologia do Amor para uma Educação sem Distâncias. 2009. Disponível em:http://www.abed.org.br/congresso2009/CD/trabalhos/1552009214901.pdf